Na maioria das ETEs industriais que visitamos, o coagulante está sendo dosado com uma referência antiga — um número definido durante a partida do sistema, ajustado uma vez após alguma não conformidade, e mantido desde então. O problema é que a água bruta muda. A turbidez muda. O pH muda. A temperatura muda. E a dose que fazia sentido há dois anos pode estar gerando custo desnecessário hoje — ou, pior, comprometendo a qualidade do efluente sem alarme visível.
Por que a dosagem errada é tão difícil de perceber
Quando a dose de coagulante está alta, o processo parece funcionar bem. O efluente sai claro, os parâmetros estão dentro do limite, o operador não tem motivo para questionar. O custo extra por m³ tratado não aparece em nenhum gráfico de processo — aparece só na nota fiscal de insumos, onde muitas vezes é atribuído à variação de preço do produto.
Quando a dose está baixa, o sinal aparece — mas frequentemente é mascarado. A turbidez sobe um pouco, o operador aumenta o tempo de recirculação ou adiciona mais cloro como correção. O problema original fica sem diagnóstico.
Em ambos os casos, o custo real não é apenas o produto fora do ponto. É a cascata: energia consumida pelo aerador que trabalha mais, produto de correção adicional, risco de não conformidade no lançamento, maior geração de lodo.
Subdosagem e superdosagem: dois problemas, mesma origem
Subdosagem ocorre quando a concentração de coagulante está abaixo do necessário para a carga orgânica e a turbidez atuais. Os flocos formados são pequenos e frágeis, a sedimentação é ineficiente e o efluente passa pelo sistema sem a clarificação esperada. O operador vê a turbidez subir e tende a compensar em outro ponto do processo.
Superdosagem é mais comum e mais silenciosa. O coagulante em excesso forma flocos grandes e pesados — o que parece eficiente, mas significa produto desperdiçado. Em sistemas com PAC, a superdosagem também pode abaixar o pH além do ideal, exigindo correção posterior. Em volumes de 30 a 100 m³/h, mesmo uma diferença de poucos mg/L no ponto de dosagem se multiplica ao longo do mês: o consumo de produto cresce proporcionalmente ao volume tratado, então um pequeno desvio na dose vira custo real e recorrente com o tempo.
A causa mais comum de ambos os desvios é simples: a dosagem foi calibrada para uma condição de operação que já mudou.
A faixa de pH muda tudo — e quase ninguém monitora junto
PAC (policloreto de alumínio) e sulfato de alumínio são os coagulantes mais usados em ETEs industriais no Brasil. Têm mecanismos de ação similares, mas faixas de pH ótimo diferentes:
| Produto | Faixa de pH ideal | O que acontece fora da faixa |
|---|---|---|
| PAC (policloreto de alumínio) | 5,5 a 7,5 | Coagulação ineficiente, flocos frágeis |
| Sulfato de alumínio | 6,0 a 7,5 (desloca para cima em água fria) | Coagulação comprometida, aumento de alumínio residual |
Operar fora da faixa ideal — mesmo com a dose tecnicamente correta — reduz a eficiência de coagulação de forma significativa. Antes de ajustar a dose, vale checar o pH do afluente. Muitas vezes é o pH que precisa de correção, não a dosagem do coagulante.
Como calcular a dosagem na prática
A ferramenta mais confiável para definir a dose ideal é o jar test: um ensaio simples, feito com amostras da água bruta atual, que simula o processo de coagulação-floculação em escala de laboratório. Ele deve ser repetido sempre que houver mudança significativa nas características do afluente.
Para converter a dose definida no jar test (em mg/L) no volume de produto a aplicar:
Volume (mL/min) = Dose (mg/L) × Vazão (m³/h) × 1.000 ÷ (Concentração do produto em g/L × 60)
Exemplo: dose de 8 mg/L (base Al₂O₃), vazão de 50 m³/h, PAC 18% (240 g/L de Al₂O₃):
8 × 50 × 1.000 ÷ (240 × 60) = 28 mL/min
(Atenção à base: “18%” não é 180 g/L. O PAC 18% tem cerca de 16 a 18% de Al₂O₃ em massa, densidade em torno de 1,34 g/cm³, o que dá aproximadamente 240 g/L de Al₂O₃, ou cerca de 1.340 g/L como produto comercial. Se vocês dosam por produto e não por Al₂O₃, use a densidade do produto no lugar dos 240 g/L. O laudo traz o valor exato.)
Se o dosador está regulado para um valor diferente desse, sem uma justificativa baseada em jar test recente, é sinal de que a calibração precisa ser revisada.
Três situações que exigem revisão imediata
Mesmo com a dose bem calibrada, algumas situações pedem revisão:
1. Mudança de cor ou turbidez na água bruta. Entrada de chuva, estiagem prolongada, novos efluentes industriais no afluente — qualquer variação significativa na carga deve acionar um jar test.
2. Troca de fornecedor ou de lote. A concentração declarada do produto pode variar entre fornecedores. PAC 18% de um fabricante pode ter comportamento diferente do PAC 18% de outro. Refazer o jar test com o novo produto é o caminho mais seguro.
3. Queda na qualidade do efluente sem causa aparente. Se os parâmetros de saída começam a se desviar sem mudança visível na operação, a dosagem do coagulante é um dos primeiros pontos a revisar.
Química Objetiva: o fornecedor que ganha quando você gasta menos
O seu fornecedor tem algum incentivo para te ajudar a usar menos produto?
Existe um desalinhamento silencioso no modelo convencional de fornecimento de insumos: o fornecedor é pago por volume. Quanto mais produto você compra, maior é o faturamento dele. Esse modelo não cria nenhum incentivo para que o fornecedor questione se a dosagem está correta — ou se existe uma forma de atingir o mesmo resultado gastando menos.
A Dioxsan funciona com uma lógica diferente. O conceito que guia o nosso modelo é o Chemical Leasing: o papel do fornecedor não é vender litros, mas garantir resultado com o mínimo de produto necessário. Quando a eficiência do seu processo é o critério de sucesso, a consultoria técnica deixa de ser opcional e passa a fazer parte do serviço.
Na prática, isso significa que quando a gente visita uma ETE, faz o jar test e identifica que a dosagem está 30% acima do ponto ótimo, a recomendação é reduzir. Um fornecedor convencional não teria incentivo para fazer esse diagnóstico.
É por isso que o nosso slogan é Química Objetiva, resultado eficiente — não como diferencial de comunicação, mas como descrição do modelo de trabalho.
Esse é o conceito que a gente está explorando no Instagram. Acompanhe @dioxsanquimica.
Conclusão
Dosagem correta de coagulante não é um parâmetro fixo — é uma variável que precisa ser revisada com frequência e com método. O jar test é simples, rápido e evita que o erro de calibração se acumule silenciosamente no custo da operação.
Se você não tem certeza de qual é a dosagem ideal para a sua ETE hoje, a Dioxsan pode ajudar. Fazemos visita técnica gratuita para avaliar o processo, conduzir o jar test no local e orientar o ajuste. Sem compromisso de compra.
Fale com a gente pelo WhatsApp: wa.me/551151785838
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